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16.12.25

Shock



O quinto número do Shock surge renovado com um novo grupo de editores, constituído por Estrompa, António Simões, Luis Louro, Gisélia Lourenço e José Paulo. Este número é dedicado à dupla René Goscinny e Albert Uderzo e os diversos participantes homenageiam a sua principal criação - Astérix e Obélix. Há uma mescla de autores consagrados e de jovens que acabam de surgir.

Os autores dos desenhos e pranchas inspiradas na dupla de irredutíveis gauleses, são: Augusto Trigo, José Abrantes, Victor Borges, João Cabrita, José Pedro Costa, João Cabrita, Diniz Conefrey, Manuel Brum, Pepedelrey, Rui Lacas, Luis Louro, Francisco Legatheaux, Renato Abreu, José Paulo Marques, Hélder Carrilho, José Ruy e Estrompa.

Há também uma secção de notícias, referenciando a realização da Feira do Livro de Lisboa e principalmente o lançamento do primeiro número de LX Comics.

Segue-se um entrevista de perguntas e respostas directas a José Ruy e para finalizar, um texto assinado por Luis Filipe Sebastião, homenageando a dupla de criadores de Astérix.

Shock #5, Maio de 1990, 24 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel de cor, 21x29,7cm., Tiragem: 120 exemplares. Lisboa.

https://mynationunderground.blogspot.com/2022/12/shock.html

17.3.25

Fibda


3º Festival Internacional de BD da Amadora, 1992 – o primeiro realizado na Fábrica da Cultura.

Kuentro

15.10.24

Ágata Moreira


BD de Ágata Moreira

Por ocasião do 10º Salão Internacional de BD do Porto, o suplemento "Local" do jornal Público colaborou com a organização e publicou a um ritmo diário, durante os dias de realização do evento, uma BD com argumento de Paulo Patrício e desenhos de diversos desenhadores.

1999


 

25.6.22

Contra Informação - Astérix Tortas


O programa "Contra Informação" de 17/03/1999 utilizou várias referências ao universo de Ast´rix e Obélix,

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/asterix-tortas/

Falar para o boneco

QUEM tem capacidade neste país para reunir, na mesma sala e no mesmo dia, António Guterres, um rol de ministros, destacados dirigentes da oposição, empresários mediáticos, árbitros e jogadores de futebol e uma ou outra estrela do «jet set»? Quem? Se respondeu o «Contra-Informação» o programa satírico diário da RTP1 cujos bonecos são, bastas vezes, melhores que os originais, acertou em cheio.

O «Contra» fez três anos de vida e a festa deu para tudo. Guterres até conseguiu uma vaga na sua estreita agenda para ir dar os parabéns ao pessoal da Mandala e arredores. (...)

É que os políticos reconhecem que a quota de popularidade de quem tem direito a boneco sobe imediatamente. Por isso é que, como se ia bichanando pelos cantos, há vários pedidos (muito implorados) para fulano ou sicrano vir a ser retratado.

Entre os convidados, Marques Mendes estava particularmente bem disposto. Já adivinhava que Durão Barroso se aprontava a marginalizá-lo, apesar do seu fiel José Mendonça o estar sempre a apertar para a necessidade de chegar a horas a Coimbra a tempo do Congresso. Pelo meio, dois fãs do programa do canal estatal foram dizer-lhe o quanto gostavam do seu boneco. Mendes não disse, mas pensou «Ganda nóia!»

Até Belmiro de Azevedo não quis faltar à celebração. Comentava-se amiúde pela sala que, ao contrário do que fez aos deputados, obrigando-os a abrir a Assembleia da República às oito da manhã para o ouvirem sobre os eventuais favores do Governo aos grupos económicos, neste caso aceitou sem pestanejar a hora a que os bonecos mais famosos de Portugal lhe marcaram encontro. E não é que conseguiu arranjar tempo na sua apertada agenda? 

Gente, Vidas, Expresso, 08/05/1999


5.5.22

Abrantes 1999

 

Por Toutatis!

O herói alado visto de frente, ou como o seu autor o não viu.

José Abrantes, 1999

https://www.facebook.com/groups/658299310886360/photos/ (06/05/2014)

20.4.22

Construções de Armar - Aldeia de Astérix


A Favorita lançou como oferta a Aldeia de Astérix em grande formato e o iogurte Longa Vida outra aldeia da mesma personagem, só que esta possui 27 folhas A4 para a sua total construção, enquanto para a anterior serão só cinco, embora de maior formato. 

Carlos Gonçalves

[Acho interessante o tema dos ‘Doces, Bolachas, Chocolates e Quadrinhos’.] Em  Portugal  também  se  verificou  ao  longo  dos  anos  que  alguns produtos  alimentares  ofereceram  aos  seus  compradores  edições ligadas à Banda Desenhada e às Construções de Armar. Por exemplo, os chocolates Favorita ofereciam pranchas em cartolina de grande formato,  com  uma  aldeia  do  Asterix,  e  os  iogurtes  Longa  Vida também ofereceram idêntico material, em mais de 20 folhas também em cartolina, mas já em formato A4.  As figuras vinham recortadas, pelo  que  se  tornava  mais  fácil  montar  a  aldeia  pelos  consumidores mais novos. 

O inseticida Banzé oferecia pequenos livros de Banda Desenhada com as aventuras de Tony Banzé (rapaz aventureiro). 

O sabão Azur oferecia livrinhos de pequeno formato, 6,5x10cm, com as aventuras de Lucky Luke e o mesmo acontecia com a Tulicreme (creme  para  barrar  o  pão),  que  ofereceu  pequenos  livros  com  as aventuras de Asterix. As medidas destes ainda eram mais pequenas, 5,5x7,5cm. E podíamos continuar com a Sumol, que oferecia caricas (cápsulas das garrafas), com as caras de alguns heróis da Banda Desenhada franco-belga, que serviam posteriormente para  um  jogo  de  loto.  Existiam  12  cartões  com  as  mesmas  figuras impressas,  para  serem  preenchidas  com  as  caricas  e  que  eram oferecidos pela revista portuguesa Tintin

Carlos Gonçalves / QI - Quadrinhos Independentes

https://docplayer.com.br/159275710-Liquidacao-de-revistas-12.html





imagens

12.1.22

Um bocado de céu


Rio Frio, a opção ideal para o aeroporto

O CHEFE da aldeia gaulesa de Astérix tinha medo que um bocado de céu lhe caísse em cima. E não vivia em Lisboa, com um aeroporto saturado no meio da cidade e nos limites da segurança. Daí um novo aeroporto para a capital, estimado em 400 milhões de contos que deve, tal como o montante que envolve, ser pensado com grandeza, como o último grande projecto estruturante do século.

https://arquivo.pt/wayback/19990831225020/http://www.expresso.pt/ed1320/e111.asp?a

14/12/1998

Isabel Meireles / Henrique neto

14.11.19

Banda Ideiafix


A banda IDEIAFIX nasceu em Assafora (Sintra) no dia 1 de Dezembro de 1990, tendo começado a actuar em algumas festas locais.

A pouco a pouco a banda começou a expandir a sua área de acção, tendo conseguido solidificar o seu nome em diversos cartazes de festas por todo o país.

https://www.facebook.com/banda.ideiafix

22.9.19

Fresky



A equipa de Sérgio Alxeredo colaborou do anúncio do sumo Fresky Astérix que foi protagonizado por Francisco Garcia

(Alxeredos, Francisco Sousa Garcia, em Manobras d'Arte - Maquilhagem, cabeleireiro, caracterização, perucas.)



11.9.19

Fresky Astérix


https://www.comicsvalue.com/RARE-ASTERIX-PLACEMAT-FRESKY-PORTUGAL-80S-43-X-275/291681700153.html

FRESKY-ASTERIX AUMENTA FAMÍLIA

A gama Fresky-Asterix viu a sua família alargada, com a entrada no mercado dos novos néctares e sumos multivitaminados em garrafas de litro e meio, em embalagem reciclável.

Por Meios & Publicidade a 23 de Julho de 1999

À CONQUISTA DOS MAIS NOVOS

Tendo como “cicerones” as personagens de Asterix e Obelix, o Fresky Júnior quer ganhar o sector dos sumos infantis

A gama Fresky foi alargada com um novo produto. Para os consumidores com idades entre 3 e 12 anos, a Lactogal acaba de lançar no mercado o Fresky Júnior, um sumo que se apresenta como nutricionalmente equilibrado através da combinação dos sabores de dez frutos e de sete vitaminas. Segundo João Santos, director de marketing da Lactogal, o novo produto assume-se como «uma “poção mágica” que pretende atingir dois públicos distintos, os filhos e os pais, através de conceitos como o equilíbrio alimentar, a variedade e o divertimento».

Para fortalecer a identidade do produto, a marca escolheu as famosas personagens de banda desenhada Asterix e Obelix para darem a cara pela nova gama. Disponível em dois formatos — 250 ml e 1 litro —, a gama Fresky Júnior está a ser distribuída ao nível nacional, com forte incidência nas grandes superfícies comerciais. Espaços, estes, que também acolhem as várias acções promocionais que estão a divulgar o novo produto e que têm a assinatura da agência portuense Canal 1. Em termos de objectivos de mercado, João Santos é peremptório: «Com esta nova aposta queremos ter um lugar privilegiado no segmento de sumos infantis, ou seja, disputar a liderança do sector».

www.lactogal.pt

Por Meios & Publicidade a 8 de Setembro de 2000



22.8.19

Supremo condena Astérix de Herman


HERMAN José terá de pagar uma indemnização de 4500 contos, acrescidos de 15% de juros anuais, às edições Albert René, propriedade de Albert Uderzo e dos herdeiros de René Goscinny, pela utilização não autorizada da personagem de banda desenhada «Astérix, o Gaulês». A decisão foi tomada no dia 7 pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ), que assim encerra definitivamente um contencioso iniciado em 1992. Por outro lado, o acórdão do STJ vem fazer doutrina no campo dos direitos de autor em Portugal, já que é a primeira vez que se decide legalmente pela protecção de uma personagem, e não da obra integral.

As edições Albert René decidiram avançar com a acção legal depois de um «spot» publicitário de promoção da cerveja Sagres, realizado, produzido e interpretado por Herman José, ter sido exibido na RTP, em Maio de 1992, sem qualquer autorização para reprodução ou exploração comercial da personagem de BD.

No «spot», Herman José aparece caracterizado e vestido como Astérix - bigodes e cabelos loiros, colete, espada e capacete - e, inclusive, diz que a cerveja é a «poção mágica», o que, como sabem os leitores de Astérix, é um dos traços marcantes daquela personagem de Uderzo e de Goscinny.

«Objecto de usurpação»

No tribunal de primeira instância, a acção foi favorável a Herman José, tendo os juízes considerado que o actor apenas fizera «uma paródia». No entanto, as edições Albert René recorreram para a Relação, que lhes deu razão, considerando que houve uma violação dos direitos de autor. Foi então a vez de Herman José interpor recurso para o STJ, que reconfirmou a decisão da Relação.

Basicamente, o STJ considera que o «realizador-actor Herman José» utilizou na «sua essência a figura de BD Astérix (...) quer no seu aspecto plástico, traços físicos, quer na sua caracterização psicológica (herói vencedor através de uma poção mágica) (...) e no seu universo (guerreiro que luta contra os romanos)».

Os juízes afirmam ainda que Herman «se meteu na pele de Astérix e recriou esta personagem (...) sem lhe alterar qualquer elemento de marca distinto de Uderzo e Goscinny».

Concluindo, o STJ pronuncia que «(...) a criação de Albert Uderzo foi objecto de usurpação por parte de Herman José, já que a autora (da acção) não lhe concedeu qualquer autorização para a reprodução e exploração comercial da personagem». No mesmo acórdão, o STJ absolve a Centralcer, proprietária da marca Sagres, e a RTP, por considerar que caberia a Herman obter a autorização para uso da personagem.

«Homenagem romântica»

Confrontado com a decisão, Herman José diz que «as questões» relacionadas com o uso de personagens «são muito subjectivas» e que na sua «profunda convicção» utilizou Astérix «não para um plágio, mas como uma homenagem romântica a um personagem» que faz parte do seu «imaginário». No entanto, o artista reconhece que «uma coisa são os ideais românticos» e «outra a realidade comercial, onde a justiça tem de ser objectiva» e que, se tivesse de realizar o mesmo filme hoje, teria sido «muito mais profissional», solicitando «de imediato a autorização».

Manuel Lopes Rocha, advogado das edições Albert René neste caso, afirma que a sentença do STJ «cria uma corrente jurisprudicional a favor da protecção da personagem». Lopes Rocha defende que as «personagens e os seus nomes - de BD, literatura, animação, jogos de computador ou de outras criações - são fundamentais para os seus autores, devido ao valor acrescentado que proporcionam, como, por exemplo, em 'merchandising'». Segundo o advogado, a partir de agora em Portugal «a personagem, isoladamente, passa a estar incluída na protecção dos direitos de autor».

JOSÉ VEGAR / Expresso, 17/07/1999

O advogado de Obélix

«Sou um jornalista frustrado». É assim que se define Manuel Lopes Rocha, «o» acérrimo defensor de Obélix e Astérix. E logo pela manhã vinga-se do sonho nunca vivido. «Devoro furiosamente tudo quanto é jornal português ou estrangeiro. E muitas revistas.»

Coincidência ou não, o seu escritório lembra a desarrumação habitual das redacções, com montes dispersos de papéis pelo chão, expressando a sua importância na distância que os separa da secretária. Fala muito depressa. A sua acção rápida e viva, estaria mais de acordo com o stress jornalístico. Mas não. «A vida de advogado é muito aborrecida. Às vezes aparecem casos interessantes que ficam na nossa pequena história.»

Manuel Lopes Rocha tem desses episódios. Astérix e Obélix foram os personagens que lhe deram o caso mais mediático. A defesa dos famosos gauleses acabou por ser um marco na sua carreira. Arrastou-se durante seis anos, mas chegou a subir ao Supremo Tribunal de Justiça e fez jurisprudência em Portugal. Tratou do spot publicitário onde Herman José, disfarçado de Astérix, fazia de conta que uma conhecida cerveja portuguesa era a sua «poção mágica». O advogado levou a sua à certa e provou que também «a personagem artística é protegida pelo direito de autor». Houve indemnizações pagas e quem ganhou foram as edições Albert René, propriedade de Albert Uderzo e dos herdeiros de René Goscinny.

Na área do direito de autor, a especialidade de Manuel Lopes Rocha, é fundamental, explica, «ler muito, manter intenso contacto com a comunicação social, ter o mínimo de cultura e também 'beber' muita banda desenhada: Tintin, Blake & Mortimer, Astérix, Corto Maltese...» Isto porque os atropelos são cada vez em maior número. «É na banda desenhada, música, livros, Internet, software...» Outra das suas estreias foi ter conseguido, pela primeira vez, que um tribunal português considerasse o software protegido pelos direitos da propriedade intelectual, a propósito da pirataria de um conhecido importador de automóveis. E também lhe foi parar às mãos o caso do cibercrime protagonizado por dois adolescentes portugueses «extremamente dotados» que entraram no sistema informático de cartões de crédito americanos e fizeram compras em Lisboa.

A Internet tornou-se o alvo principal dos plagiadores por «tudo ser copiável». Manuel Lopes Rocha acha que se deve evoluir para outras medidas «como vender passwords, aferrolhando o que se quer proteger do ponto de vista intelectual». Porque os plágios, hoje em dia, tornaram-se vulgares. «Eu próprio sou vítima de plágios. Há um uso abusivo, um excesso de citação sem que se identifique o autor das ideias. Se nunca se referir o autor pode ser-se o pioneiro.» Os casos de plágio têm surgido em crescendo. «Em livros, multimédia, base de dados. As penas são pesadas, mas não são aplicadas.» Até que um advogado como ele se meta no assunto...

Leonor Figueiredo, Diário de Notícias, 04/03/2003

Descritores temáticos e sumário:

Direitos de autor

I - Provando-se nas instâncias que o réu, no âmbito de um contrato publicitário para a televisão surgia como actor principal, exibindo os bigodes e os cabelos loiros e consistindo o traje num colete de cor negra, um cinto de bolas, em calças, uma espada e um capacete arvorando duas asas, sendo esta a habitual indumentária de Astérix nas suas aventuras, nos seus mais diversos meios de criação artística em que se expressa pelo seu autor, significa isto que o réu se meteu na pele de Astérix e recriou este personagem com o seu cunho interpretativo, como é inevitável em qualquer actor relativamente a um personagem que interprete, mas sem lhe alterar qualquer elemento de marca distinto de Albert Uderzo.

II - Há assim um claro aproveitamento do que foi criado por Albert Uderzo, ou seja do que tem de essencial a sua obra, as suas Aventuras de Astérix.
07-07-1999

Revista n.º 592/99 - 1.ª Secção

Fernandes Magalhães (relator)
Tomé de Carvalho
Silva Paixão

https://arquivo.pt/wayback/20000925174218/http://www.cidadevirtual.pt/stj/jurisp/bol33civel.html

24.5.19

Os 40 anos de Astérix

"Estamos no ano 50 antes de Jesus Cristo. Toda a Gália está ocupada pelos romanos... Toda? Não! Uma aldeia habitada por irredutíveis gauleses resiste ainda e sempre ao invasor...". Todos conhecem esta frase que abre os álbuns de Astérix, mas, para saber como tudo começou, temos de recuar no tempo. Ir até 1926, digo a 33 a.A. (antes de Astérix, por Toutatis!), ao dia 14 de Agosto, quando nascia, na antiga Gália, René Goscinny, filho de pai polaco. No ano seguinte, a 25 de Abril, no mesmo país e igualmente filho de imigrantes, agora italianos, nascia Albert Uderzo.

Por vontade de Belenos, o seu percurso cruzou-se em 8 a.A., deixando Goscinny os desenhos para se revelar um prolífero e versátil argumentista, assinando séries como "Lucky Luke" (para Morris), "Spaghetti" (Attanasio) e "Jehan Pistolet", "Humpá-pá" e "Astérix", para Uderzo. Quatro anos mais tarde, em conjunto com Jean-Michel Charlier (argumentista de "Blueberry", "Barba Ruiva" e um muito largo etc.) formam uma agência com o objectivo de conseguir melhores condições de publicação para as suas obras. Banidos pelas principais editoras, decidiram-se pela auto-edição que, após diversos ensaios, corria o "ano zero" da era Astérix, surgiria com a forma de revista, sob o nome "Pilote", que se tornaria o berço da moderna BD europeia, revelando ou confirmando talentos como os já citados e, entre outros, Hubinon, Christin, Meziéres, Gotlib, Brétécher, Greg, Lob, Mandrika, Fred, Druillet, Tardi, Bilal, Comés e Cabanes.

Mas como a história da "Pilote" - desaparecida em 1989 e que chegou a ser conhecida como "Le journal d'Astérix et Obélix" - só por si justificava um outro artigo, regressemos à grande aventura de Astérix, o gaulês, que continua de boa saúde, pelo menos financeiramente, dado o decréscimo de qualidade que os novos títulos têm apresentado.

À frente de Tintin e Mickey

O herói preferido dos gauleses actuais, à frente de Tintin e Mickey, segundo sondagem recente, foi gerado por acaso, a três meses do nº 0 da "Pilote", quando os seus pais, a adaptar aos quadradinhos o "Roman de Renart" para a revista, descobriram que alguém já o fizera antes. Tornou-se premente a busca de uma alternativa, que foi inspirada pela plêiade de deuses gauleses e aproveitou uma distracção do todo poderoso Júpiter, deus dos romanos que, por isso, ao longo de 40 anos a apanhar pancada, muita vontade devem ter tido de o ver no circo, lançado aos leões. O resultado foi um herói com quem os gauleses se identificavam, mais inteligente que forte, e com um conjunto de amigos com defeitos bem humanos, aproveitados para conseguir irresistíveis momentos de boa disposição, que se revelaria um sucesso quase sem paralelo: no ano 2 d.A. (depois de Astérix), a tiragem inicial do álbum com a primeira aventura, "Astérix o gaulês", tirava 6.000 exemplares, que, n'"A foice de oiro", no ano seguinte, já eram 100.000, ultrapassavam o milhão, em 7 d.A., com "Astérix e os Normandos", atingindo a gorda (gorda, não, forte!) cifra de 2,7 milhões, no mais recente "O pesadelo de Obélix".

Se o êxito no mercado gaulês se deve à já citada capacidade de identificação com o herói e à chauvinista revisão da verdade história, a invasão (pacífica) dos outros países _ hoje cada novo título é traduzido em 77 línguas e dialectos _ explica-se pela capacidade de agradar aos mais novos, pelas aventuras em si e pelo humor directo e simples de Goscinny, e a adultos, pela caricatura de personagens reais, pela crítica de costumes e pelo humor subtil e inteligente de Goscinny.

O êxito crescente da banda desenhada, que conta 25 títulos, levou a um sem número de adaptações em cinema de animação, teatro e, mais recentemente, ao grande écran com "Astérix e Obélix contra César", de Claude Zizi, com um elenco de luxo, encabeçado por Christian Clavier (como Astérix), Gerard Depardieu (Obélix), Roberto Benigni (César) e a bela Laetitia (Falbala). E apesar dos atropelos feitos ao espírito da série, os números alcançados pela mais cara película gaulesa são impressionantes: 450 mil espectadores só no primeiro dia e mais de nove milhões até hoje, na Gália (e milhão e meio de cópias para o próximo lançamento em vídeo), 3.300 mil espectadores na Germânia, 800 mil espectadores na Lusitânia. Números que justificam que já esteja em preparação novo filme, com Clavier e Depardieu, dirigido por Alain Chabat.

O Parque Astérix (próximo de Lutécia, a que alguns chamam Paris), que recria a aldeia gaulesa e as principais aventuras dos heróis, em dez anos recebeu dois milhões de visitantes, que deixaram nos seus cofres um milhão de contos e permitiram a sua entrada na bolsa francesa, em 37 d.A..

Às comemorações do 40º aniversário de Astérix associa-se a Meribérica/Líber, que anuncia a oferta de brindes na compra dos álbuns, que serão integralmente reeditados a partir de Janeiro, o lançamento de mais um livro de receitas "As viagens gulosas de Astérix", e outras iniciativas que para já só podem ser transmitidas de "ouvido de druida para ouvido de druida", mas que deverão incluir um novo álbum durante 2000.

Tudo factores a fazer aumentar o volume do negócio, gerido pelas edições Albert René - criadas por Uderzo no ano 20 d.A., dois anos após a morte de Goscinny - que facturaram, há seis anos, quase 10 milhões de contos, o que se não pode evitar que o céu caia em cima da cabeça dos gauleses, ajudará muito, quando tal acontecer. Com a certeza que amanhã não será a véspera desse dia.

Pedro Cleto, JN, 1999

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Reservados todos os Direitos

Os 60 anos de Astérix

(imagens e informação disponibilizadas pela editora; consultar no blog de Pedro Cleto)

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