26.8.21

Opinião - Rui Zink


OPINIÃO
Astérix au Portugal
Pessoas cinzentas para quem o dinheiro é tudo decidiram chatear quem, vivendo melhor ou pior, se dedicava às indústrias criativas.

O que é um autor? O fisco sabe. O que são direitos de autor? O fisco sabe. Durante décadas, o trabalho criativo tinha benefícios fiscais. Antes de pensarem no Abuso e no Privilégio (palavras que, amarga ironia, cada vez mais estão a ser utilizadas contra os fracos), peço para se lembrarem de uma coisa: poucas classes como a dos artistas fazem tanto trabalho pro bono. Sobretudo no Natal: “Os direitos de autor deste disco/livro/etc. reverterão para…” As escolas não têm dinheiro para pagar a escritores, músicos, actores? Convidam-nos.

Eu já me habituei a puxar do cartão de militante da JSD sempre que recebo um “convite”. Porque de antemão sei que é uma borla. Entrementes, na cabeça do neofisco, sou um chulo da nação, uma cigarra preguiçosa. Tá mal. Mas eles acham que nos andámos a divertir durante demasiado tempo.

E agora o fisco-formiga vem vingar-se das cigarras. É normal. Numa época em que se celebra o empreendedorismo, onde a economite é a nova dinamite e o negocismo o novo ideologismo (isto é, Nova Verdade Absoluta), pessoas cinzentas para quem o dinheiro é tudo decidiram chatear quem, vivendo melhor ou pior, se dedicava às indústrias criativas. Avanço com um exemplo: uma conferência já não é reconhecida pelos contabilistas como trabalho criativo. Então é o quê? “Autopromoção”, já calhou responderem com o sorrisinho sacana de quem pode & manda.

É a vingança dos contadores de dinheiro contra os contadores de histórias. O regime fiscal magoa e mói. A graça é que, como em tempos de antanho, quem tem a navalha maior é que decide o que é o quê.

A situação não é inédita. É um retrocesso, mas não é inédita. No tempo em que os livros eram apreendidos pela PIDE, o agente da autoridade tinha um poder maior do que o mais severo crítico literário: o de tirar a obra da circulação e, eventualmente, mandar o autor para o merecido banho de cadeia. José Vilhena fez um livro cujas ilustrações eram, todas-todinhas, reproduções de obras-primas da arte, de Goya a Munch. Isso não impediu que dezenas de agentes da PIDE e da PSP o apreendessem com o argumento, repetido, de “conter imagens pornográficas”. Nunca se pode ter razão, não sobretudo contra a Arrogância da Ignorância. (Verdade seja dita que Vilhena estava a pedi-las: o livro em questão chamava-se A Cama.)

Em 1990 os Felizes da Fé fizeram um teatro em forma de manif na Rua Augusta, de “apoio aos países em vias de extinção”. A polícia veio em estado de alerta, porque era uma manifestação ilegal. Havia cartazes ameaçadores como este meu favorito: “Alemanha há só uma/as duas e mais nenhuma.” De nada serviram os protestos dos detidos de que era teatro de rua numa rua adequada para a função, e por isso não carecia de nada. As autoridades insistiram, surdas como só as autoridades sabem ser: queriam o papelinho do Governo Civil. Não havia, não houve, e os actores lá foram presos. É como diz Fernando Pessoa: nunca se pode ter razão, nem na Rua Augusta.

Este regresso triunfal da estupidez não é felizmente exclusivo nacional. Em França, em 2011, um fiscalista de génio tentou um belo golpe que, tivesse resultado, seria o açambarcar da galinha dos ovos de ouro. O belga Uderzo acumulara durante 50 anos milhões como co-autor do Astérix. E agora vinha o genial contabilista explicar que tal fora um lamentável erro a carecer do justo correctivo: Uderzo recebera como co-autor quando devia ter recebido apenas como mero ilustrador. Um golpe notável: porque, deixasse Uderzo de ser considerado autor, teria de devolver o pilim “irregularmente recebido” como direitos de autor. Muito dinheirinho para construir a Nova França de Sarkozy. Por azar, Uderzo tinha bons advogados (o dinheiro dos direitos também serve para isso) e a indignação geral – mundial mesmo – acalmou os ânimos do fisco e fez recuar o esbulho.

Se nada for mudado – e os artistas não tiverem um bocado de coragem –, 2015 arrisca-se a ser um ano ainda mais negro do que o costume para muitos e muitos autores portugueses. Não é só uma questão de dinheiro: é também uma questão de princípio. (E, receio, de fim.)

Rui Zink
Público, 22 de Dezembro de 2014

https://www.publico.pt/2014/12/22/opiniao/opiniao/asterix-au-portugal-1680133

22.7.21

Por toutatis!

Astérix - Um Património fora do vulgar

17 de maio a 1 de junho 2014
Museu nacional da Imprensa

11.7.21

Sanjoanix


14 MAI 2017 - 21h45 [90 min]

Sanjoanix

Casa da Criatividade

O humorista Pedro Neves completou em 2017, 15 anos de missão. Preparou um espetáculo especial que fala das suas origens e das características do povo da sua região. Um espetáculo de S. João da Madeira, sobre S. João da Madeira.

Evento integrado nas comemorações do 33.º aniversário da elevação de S. João da Madeira a cidade.

PÚB. M/12 anos // Entrada 5€ // Org. CMSJM





25.6.21

Gelados Olá - Bonecos Monocromáticos


EU, ASTÉRIX APRESENTO CLEÓPATRA E OS MEUS 20 COMPANHEIROS NO EGIPTO! NOVA OFERTA OLÁ - GRÁTIS! NOS GELADOS DE 2$50 ANANÁS, LARANJA E DELICÔ.

Cartaz de uma promoção TITO para os gelados Olá no ano de 1969. Estavam previstos 20 bonecos mas (parece que) existem mais. 

Publicado em 12/10/2010, por João Tito Basto, no blog Amnesia

Astérix (40 bonecos) OLÁ

Todos os bonecos estão impecáveis, salvo o corneteiro e o escravo núbio (falta, a ambos, uma pena na cabeça) e são todos portugueses. A colecção saiu, posteriormente, em vários outros países, noutras cores e tons. Mais ainda do que em França e na Bélgica, onde a colecção teve muito sucesso, estes bonecos tiveram tiragens imensas na Alemanha e na Áustria. Os bonecos portugueses, muito procurados por coleccionadores estrangeiros, são incomparavelmente mais raros do que as réplicas de outros países.

R+R O respigador e a respigadora, 21/01/2010


Catálogos com as colecções de bonecos monocromáticos que saíam com a Olá (gelados) e com a Rajá (chocolates) nos finais dos anos 60.

http://baleia-salgada.blogspot.com/2015/12/catalogos.html

alguns bonecos

Outros

Os bonecos que vinham do frio

No dia-a-dia dos verões da infância a disputa era pelos rajás e pelos olás. Mas não era só pelos gelados de laranja, ananás ou chocolate. Era sobretudo pelo brinde que eles traziam: dentro da embalagem de papel de cada gelado, um pequeno boneco de plástico monocolor. Havia várias coleções, quase sempre de séries de desenhos animados da televisão ou de bandas desenhadas da época. Os da Disney ou os da Warner Brothers, os do Astérix ou os do Tintin, ou outros que nem sei de onde eram, como os músicos de um grupo ié-ié ou os astronautas e os seres extraterrestres que pertenciam a um conjunto que incluía uma espetacular estação orbital, que era adquirida à parte.

Verão após verão, estes eram os bonecos que eu colecionava e que foram os meus mais usados e estimados brinquedos.

Vinham criogenizados nas embalagens de gelados e acordavam para um mundo onde viveriam novas e insuspeitadas vidas.

(...)

Nuno Artur Silva, DN, 19/06/2019



17.6.21

Livros Tulicreme


Série de 17 pequeníssimos “livrinhos” publicitários oferta da Tulicreme com extractos das histórias do gaulês invencível. Trata-se da colecção de álbuns de banda desenhada mais pequena que existiu em Portugal (5x5 cm), tendo sido publicada em 1968, com concepção original lusitana. 

(Publicada por Leonardo De Sá)

http://historiasdosquadradinhos.blogspot.com/2009/01/coleco-de-lbumzitos-astrix-brindes.html

Enciclopedia de cromos

8.6.21

Isaltix



Cartoon de Hélder Dias, "Isaltix", endereçado ao presidente da Câmara Municipal de Oeiras a propósito da inauguração do Obelisco.

 https://duaslinhas.pt/2021/04/oeiras-tem-obelisco/


http://www.jornaltorrejano.pt/opiniao/noticia/?n-e97bb1fa


8.4.21

O maior de todos os tesouros



Fanzine cujas personagens sugerem algumas semelhanças com alguns dos protagonistas de Astérix.

Fantasia em que participam alguns animais falantes e com um fundo cómico. Coordenação de Paulo Monteiro.

21  |  Câmara Municipal de Beja- Atelier de BD - Toupeira - Bedeteca de Beja | 2009-05 | PT
Colecção TOUPEIRA nº5 | 20 pag; 17 x 24 cm; P.B.;400 ex;

Autor Carlos Rocha

+ informações ISBD

http://alpiarca.pt/fanzineteca/index_pesquisa.php



http://bongop-leituras-bd.blogspot.com/2013/04/a-palavra-dos-outros-o-maior-de-todos.html

10.3.21

O Astérix desenhado por um português

 E se um desenhador português fosse escolhido para dar continuação às aventuras de Astérix e Obélix? Albert Uderzo, um dos criadores da série e seu actual desenhador e argumentista, tem 82 anos e, muito provavelmente, assinou a última aventura, saída há dias. Já disse publicamente que o herói lhe sobreviverá, para continuar a dar tabefes nos legionários de Júlio César durante muito tempo.

Ao passarem 50 anos sobre o aparecimento do herói nas páginas da revista francesa “Pilote”, a 29 de Outubro de 1959, um dos temas de discussão é sobre quem recairá a escolha de dar seguimento a Astérix. Nos meios da BD especula-se sobre quem terá a honra de pegar no testemunho da série.

O PÚBLICO lançou o desafio a José Abrantes, um autor português de banda desenhada com um estilo que apresenta algumas similitudes com o de Uderzo, pedindo-lhe que se pusesse na pele de um hipotético continuador das aventuras dos gauleses irredutíveis. 

O resultado é esta prancha de uma hipotética aventura de Astérix na Lusitânia, feita pelo autor. 

Carlos Pessoa / Público

http://static.publico.pt/asterix/

https://arquivo.pt/wayback/20141024064226/http://static.publico.pt/asterix/



22.2.21

A vitória de uma “Pequena Aldeia”!

JULY 13, 2016

A VITÓRIA DE UMA “PEQUENA ALDEIA”!

Primeira página do i, edição de 11/7/2016, que reproduzimos com a devida vénia, felicitando o jornal pela sua criatividade. Herói da BD bastante popular no nosso país — onde se tornou conhecido desde 1961, rivalizando com Tintin —, é, no entanto, a primeira vez que vemos Astérix empunhar a bandeira portuguesa, em homenagem aos heróis desportivos que no Stade de France, e sem ajuda de nenhuma poção mágica, resistiram também ao assédio de adversários mais poderosos. Gália e Lusitânia juntas contra os “romanos”… eis uma mensagem (sub-reptícia) que devia ultrapassar as fronteiras do futebol. Obrigado, Astérix! Parabéns, Selecção!

Jorge Magalhães (1938/2018)
https://ogatoalfarrabista.wordpress.com/2016/07/

 

imagem encontrada no facebook da Rádio Regional Sanjoanense

 

Publicação em destaque

Bartoon

Que o popularíssimo herói de BD Astérix passou das mãos de Uderzo, exímias a desenhar criativamente, para as de Didier Conrad (e se Goscin...