21.10.21

Gaula

Da freguesia dos irredutíveis gauleses para o Funchal. E Lisboa?

A analogia faz-se sozinha. Há uma freguesia da Madeira, Gaula, resistente ao jardinismo como nenhuma outra nos últimos 37 anos, de onde sai um movimento de cidadãos, protagonizado por dois irmãos, que se diz detentor de uma “poção mágica” que o torna poderoso no meio partidário e que desde domingo é a quarta força do parlamento regional. O gentílico de Gaula? É gaulês, claro.

Na freguesia onde tudo começou, Filipe Sousa até já foi conhecido por Filipix, dadas as coincidências com a “aldeia povoada por irredutíveis gauleses” que, no início de cada livro do Astérix, “resiste agora e sempre ao invasor”, o Império Romano. Como na banda desenhada, este fundador do Juntos Pelo Povo recusa-se a revelar o segredo da “poção mágica”, como lhe chama, que fez com que o partido criado em Janeiro conseguisse chegar em dois meses ao parlamento regional, com uma representação (cinco lugares) igual à do PS-Madeira. O irmão Élvio Sousa também fala na “tal poção”, mas lá adianta alguns ingredientes: “Fazemos um trabalho quotidiano junto das populações. As pessoas criticam os partidos que estão em contacto apenas nos momentos eleitorais mas depois disso se fecham nos gabinetes.”

Filipe e Élvio têm nove anos de diferença (o primeiro tem 50, o segundo 41) e, juntamente com um conjunto de cidadãos independentes de Gaula, fundaram o movimento Juntos Pelo Povo (JPP) em 2008 para contrariar a “lógica partidária”. “A partidarite condiciona os autarcas”, argumenta convicto.

No ano seguinte candidataram-se à Câmara de Santa Cruz, roubaram a maioria absoluta ao PSD e passados quatro anos Filipe foi eleito presidente. Descontente com os partidos, atende o i à primeira, num contacto simples para a câmara. “Espere um pouco, vou fechar a porta... É fácil apanhar-me, sim, tão fácil que a porta está sempre aberta.” Num madeirense pausado fala do descontentamento com os partidos e conta o seu percurso político no poder local. Entrou em 1997, como candidato independente nas listas do PS à freguesia de Gaula, que tem pouco mais de 4 mil habitantes, a agricultura como principal actividade e “em 36 anos de poder jardinista foi a única onde a oposição contrariou sempre a hegemonia laranja” na Madeira, sublinha. Desliga-se do PS, funda o movimento e a história segue até ao parlamento regional.

Legislativas Para concorrer numas eleições que não as autárquicas, o JPP teria de se constituir partido. Filipe torceu o nariz, “receava a partidarite que estraga em muito a resolução dos problemas”, argumenta. Mas “a ideia era levar o projecto mais além”, diz, conformado com o que acabou por acontecer num curto espaço de tempo.

No início de Fevereiro deste ano o JPP foi legalizado. “Não estávamos a contar com este acto eleitoral.” A frase é de Élvio, que encabeçou a lista às legislativas e ouviu o irmão avisar, nos dias seguintes, que “é preciso ter cuidado que ainda nos cai o bebé nos braços. E caiu. Agora há que amamentá-lo”, acrescenta Filipe Sousa que, na altura, estava sobretudo preocupado com a composição das listas. Afinal havia hipótese de eleger mais de um deputado. “Basta uma andorinha para estragar a Primavera”, atira o autarca para justificar a cautela. O provérbio popular não é este, mas no JPP também não foi devagar que se foi longe. E a meta pode nem sequer estar na Assembleia Legislativa sediada no Funchal.

A Assembleia da República está no horizonte do JPP. Até porque, lembra Élvio Sousa, o partido tem “uma base considerável de apoios na Grande Lisboa, no meio académico, empresarial e da cidadania”, diz ao i. O congresso nacional deve realizar-se em Maio, e aí o JPP “vai reflectir sobre as legislativas e ponderar seriamente a apresentação de uma candidatura”.

O agora deputado da Assembleia Legislativa da Madeira é também o presidente da Junta de Freguesia de Gaula, onde vai manter-se em funções. É arqueólogo, formado na Universidade de Lisboa, e investigador na área da arqueologia da expansão portuguesa. Não gosta de colar o JPP a ideologias. “É composto por muitos homens e mulheres que não se identificam com a dicotomia esquerda/direita”, garante ao mesmo tempo que aponta como prioridade a área social – “Se isto é esquerda ou direita...” “Nunca fui militante e 99% dos deputados ou autarcas do JPP também não. O melhor da política está nos cidadãos”, diz ainda no ritmo da ladainha de campanha daquele que foi alvo de ataque frequente dos partidos tradicionais durante o último mês.

O JPP vai ocupar cinco cadeiras no parlamento regional e propõe-se ter um gabinete móvel de apoio à população, para sustentar e dar a conhecer as propostas sociais do partido. Há uma coisa que recusou na campanha e mantém como lema: não a coligações. “Há uma filosofia e isso quebraria a confiança com os cidadãos. Jamais poremos a hipótese de acordo.” Bom, há um possível. Os irmãos são ambos músicos. Élio toca viola e harmónica nos SOS (Somos o que Somos), uma banda de originais de blues e rock. Filipe tocou, na adolescência, nos Chacal (“É um animal que come carne podre e as nossas letras atiravam aos podres da sociedade”, explica o autarca). “Um dia ainda fazemos uma banda com o actual presidente do governo regional, que toca piano.” Élvio ri-se, garantindo que com Miguel Albuquerque só mesmo na música. Será?

01/04/2015
https://ionline.sapo.pt/131752

7.10.21

Ambar


https://www.facebook.com/1900aprimorosacoleccao


1985


 http://obrinquedoantigo.blogspot.com/2011/08/porta-chaves-do-asterix-1983.html

Cadernos Escolares 



Lapis de Cor

https://www.comicsvalue.com/Etui-de-6-Crayons-couleur-ASTERIX-anns-80-ambar-Portugal/321730286691.html

https://www.comicsvalue.com/Etui-de-6-Crayons-couleur-ASTERIX-anns-80-ambar-Portugal/321730286691.html


 

14.9.21

Carlinha


Sinto-me como que na aldeia dos gauleses eheheh .... Astérix de um lado, Obélix do outro, o canito ideiafix sempre a ladrar, (hoje gordito e já com óculos, tadito).... e com a La Roussette, galinha de Abraracourcix, o chefe da aldeia, a cacarejar como há muito não ouvia.!!

Vou mas é pedir uma poção mágica ao Panoramix, a ver se me safo, eishhh!
lololololol

https://camaroteleonino.blogs.sapo.pt/ha-quem-pensa-que-e-o-pai-do-3160231

26.8.21

Opinião - Rui Zink


OPINIÃO
Astérix au Portugal
Pessoas cinzentas para quem o dinheiro é tudo decidiram chatear quem, vivendo melhor ou pior, se dedicava às indústrias criativas.

O que é um autor? O fisco sabe. O que são direitos de autor? O fisco sabe. Durante décadas, o trabalho criativo tinha benefícios fiscais. Antes de pensarem no Abuso e no Privilégio (palavras que, amarga ironia, cada vez mais estão a ser utilizadas contra os fracos), peço para se lembrarem de uma coisa: poucas classes como a dos artistas fazem tanto trabalho pro bono. Sobretudo no Natal: “Os direitos de autor deste disco/livro/etc. reverterão para…” As escolas não têm dinheiro para pagar a escritores, músicos, actores? Convidam-nos.

Eu já me habituei a puxar do cartão de militante da JSD sempre que recebo um “convite”. Porque de antemão sei que é uma borla. Entrementes, na cabeça do neofisco, sou um chulo da nação, uma cigarra preguiçosa. Tá mal. Mas eles acham que nos andámos a divertir durante demasiado tempo.

E agora o fisco-formiga vem vingar-se das cigarras. É normal. Numa época em que se celebra o empreendedorismo, onde a economite é a nova dinamite e o negocismo o novo ideologismo (isto é, Nova Verdade Absoluta), pessoas cinzentas para quem o dinheiro é tudo decidiram chatear quem, vivendo melhor ou pior, se dedicava às indústrias criativas. Avanço com um exemplo: uma conferência já não é reconhecida pelos contabilistas como trabalho criativo. Então é o quê? “Autopromoção”, já calhou responderem com o sorrisinho sacana de quem pode & manda.

É a vingança dos contadores de dinheiro contra os contadores de histórias. O regime fiscal magoa e mói. A graça é que, como em tempos de antanho, quem tem a navalha maior é que decide o que é o quê.

A situação não é inédita. É um retrocesso, mas não é inédita. No tempo em que os livros eram apreendidos pela PIDE, o agente da autoridade tinha um poder maior do que o mais severo crítico literário: o de tirar a obra da circulação e, eventualmente, mandar o autor para o merecido banho de cadeia. José Vilhena fez um livro cujas ilustrações eram, todas-todinhas, reproduções de obras-primas da arte, de Goya a Munch. Isso não impediu que dezenas de agentes da PIDE e da PSP o apreendessem com o argumento, repetido, de “conter imagens pornográficas”. Nunca se pode ter razão, não sobretudo contra a Arrogância da Ignorância. (Verdade seja dita que Vilhena estava a pedi-las: o livro em questão chamava-se A Cama.)

Em 1990 os Felizes da Fé fizeram um teatro em forma de manif na Rua Augusta, de “apoio aos países em vias de extinção”. A polícia veio em estado de alerta, porque era uma manifestação ilegal. Havia cartazes ameaçadores como este meu favorito: “Alemanha há só uma/as duas e mais nenhuma.” De nada serviram os protestos dos detidos de que era teatro de rua numa rua adequada para a função, e por isso não carecia de nada. As autoridades insistiram, surdas como só as autoridades sabem ser: queriam o papelinho do Governo Civil. Não havia, não houve, e os actores lá foram presos. É como diz Fernando Pessoa: nunca se pode ter razão, nem na Rua Augusta.

Este regresso triunfal da estupidez não é felizmente exclusivo nacional. Em França, em 2011, um fiscalista de génio tentou um belo golpe que, tivesse resultado, seria o açambarcar da galinha dos ovos de ouro. O belga Uderzo acumulara durante 50 anos milhões como co-autor do Astérix. E agora vinha o genial contabilista explicar que tal fora um lamentável erro a carecer do justo correctivo: Uderzo recebera como co-autor quando devia ter recebido apenas como mero ilustrador. Um golpe notável: porque, deixasse Uderzo de ser considerado autor, teria de devolver o pilim “irregularmente recebido” como direitos de autor. Muito dinheirinho para construir a Nova França de Sarkozy. Por azar, Uderzo tinha bons advogados (o dinheiro dos direitos também serve para isso) e a indignação geral – mundial mesmo – acalmou os ânimos do fisco e fez recuar o esbulho.

Se nada for mudado – e os artistas não tiverem um bocado de coragem –, 2015 arrisca-se a ser um ano ainda mais negro do que o costume para muitos e muitos autores portugueses. Não é só uma questão de dinheiro: é também uma questão de princípio. (E, receio, de fim.)

Rui Zink
Público, 22 de Dezembro de 2014

https://www.publico.pt/2014/12/22/opiniao/opiniao/asterix-au-portugal-1680133

22.7.21

Por toutatis!

Astérix - Um Património fora do vulgar

17 de maio a 1 de junho 2014
Museu nacional da Imprensa

11.7.21

Sanjoanix


14 MAI 2017 - 21h45 [90 min]

Sanjoanix

Casa da Criatividade

O humorista Pedro Neves completou em 2017, 15 anos de missão. Preparou um espetáculo especial que fala das suas origens e das características do povo da sua região. Um espetáculo de S. João da Madeira, sobre S. João da Madeira.

Evento integrado nas comemorações do 33.º aniversário da elevação de S. João da Madeira a cidade.

PÚB. M/12 anos // Entrada 5€ // Org. CMSJM





25.6.21

Gelados Olá - Bonecos Monocromáticos


EU, ASTÉRIX APRESENTO CLEÓPATRA E OS MEUS 20 COMPANHEIROS NO EGIPTO! NOVA OFERTA OLÁ - GRÁTIS! NOS GELADOS DE 2$50 ANANÁS, LARANJA E DELICÔ.

Cartaz de uma promoção TITO para os gelados Olá no ano de 1969. Estavam previstos 20 bonecos mas (parece que) existem mais. 

Publicado em 12/10/2010, por João Tito Basto, no blog Amnesia

Astérix (40 bonecos) OLÁ

Todos os bonecos estão impecáveis, salvo o corneteiro e o escravo núbio (falta, a ambos, uma pena na cabeça) e são todos portugueses. A colecção saiu, posteriormente, em vários outros países, noutras cores e tons. Mais ainda do que em França e na Bélgica, onde a colecção teve muito sucesso, estes bonecos tiveram tiragens imensas na Alemanha e na Áustria. Os bonecos portugueses, muito procurados por coleccionadores estrangeiros, são incomparavelmente mais raros do que as réplicas de outros países.

R+R O respigador e a respigadora, 21/01/2010


Catálogos com as colecções de bonecos monocromáticos que saíam com a Olá (gelados) e com a Rajá (chocolates) nos finais dos anos 60.

http://baleia-salgada.blogspot.com/2015/12/catalogos.html

alguns bonecos

Outros

Os bonecos que vinham do frio

No dia-a-dia dos verões da infância a disputa era pelos rajás e pelos olás. Mas não era só pelos gelados de laranja, ananás ou chocolate. Era sobretudo pelo brinde que eles traziam: dentro da embalagem de papel de cada gelado, um pequeno boneco de plástico monocolor. Havia várias coleções, quase sempre de séries de desenhos animados da televisão ou de bandas desenhadas da época. Os da Disney ou os da Warner Brothers, os do Astérix ou os do Tintin, ou outros que nem sei de onde eram, como os músicos de um grupo ié-ié ou os astronautas e os seres extraterrestres que pertenciam a um conjunto que incluía uma espetacular estação orbital, que era adquirida à parte.

Verão após verão, estes eram os bonecos que eu colecionava e que foram os meus mais usados e estimados brinquedos.

Vinham criogenizados nas embalagens de gelados e acordavam para um mundo onde viveriam novas e insuspeitadas vidas.

(...)

Nuno Artur Silva, DN, 19/06/2019



17.6.21

Livros Tulicreme


Série de 17 pequeníssimos “livrinhos” publicitários oferta da Tulicreme com extractos das histórias do gaulês invencível. Trata-se da colecção de álbuns de banda desenhada mais pequena que existiu em Portugal (5x5 cm), tendo sido publicada em 1968, com concepção original lusitana. 

(Publicada por Leonardo De Sá)

http://historiasdosquadradinhos.blogspot.com/2009/01/coleco-de-lbumzitos-astrix-brindes.html

Enciclopedia de cromos

8.6.21

Isaltix



Cartoon de Hélder Dias, "Isaltix", endereçado ao presidente da Câmara Municipal de Oeiras a propósito da inauguração do Obelisco.

 https://duaslinhas.pt/2021/04/oeiras-tem-obelisco/


http://www.jornaltorrejano.pt/opiniao/noticia/?n-e97bb1fa


Publicação em destaque

Bartoon

Que o popularíssimo herói de BD Astérix passou das mãos de Uderzo, exímias a desenhar criativamente, para as de Didier Conrad (e se Goscin...