21.3.22

Álbum cartonado - 1969


Astérix E O Caldeirão (Livraria Bertrand/Editorial Ibis) - 1969

volumes publicados:

Astérix entre os bretões - 1967

Astérix, o gaulês - 1967

Astérix nos Jogos Olímpicos - 1968

Diário de Lisboa, 22/09/1969

http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=06605.143.24021#!3

Astérix, o gaulês (Astérix, le gaulois), 1959, Uderzo e Goscinny, Foguetão #1 a #13*; Cavaleiro Andante #510 a #525**; Álbum Editorial Íbis [1967];

A foice doirada/A foice de ouro (La serpe d'or), 1960, Uderzo e Goscinny, Zorro #27 a 37; Tintin #41/3º ano a #9/4º ano;

Astérix e os godos (Astérix et les Goths), 1961, Uderzo e Goscinny, Tintin #10 a #31/4º ano;

Astérix gladiador (Astérix gladiateur), 1962, Uderzo e Goscinny, Tintin #49/2º ano a #18/3º ano;

A volta à Gália (Le tour de Gaule d’Astérix), 1963, Uderzo e Goscinny, Tintin #19 a #40/3º ano;

Astérix e Cleópatra (Astérix et Cléopatre), 1963, Uderzo e Goscinny,  Álbum Editorial Íbis [1969];

O combate dos chefes (Le combat des chefs), 1964, Uderzo e Goscinny, Álbum Editorial Íbis [1969]; Tintin #1 a #21/2º ano;

Astérix entre os bretões (Astérix chez les Bretons), 1965, Uderzo e Goscinny, Álbum Editorial Íbis [1967];

Astérix e os normandos (Astérix et les Normands), 1966, Uderzo e Goscinny, Tintin #32/4º ano a #1/5º ano;

Astérix legionário (Astérix légionnaire), 1966, Uderzo e Goscinny, Tintin #27 a #48/1º ano;

O escudo de Arverne (Le bouclier arverne), 1967, Uderzo e Goscinny, Tintin #27 a #48/2º ano;

Astérix nos Jogos Olímpicos (Astérix aux jeux olympiques), 1968, Uderzo e Goscinny, Álbum Editorial Íbis [1968]; 

Astérix e o caldeirão (Le chaudron), 1968, Uderzo e Goscinny, Álbum Editorial Íbis [1969];

Astérix na Hispânia (Astérix en Hispanie), 1969, Uderzo e Goscinny, Álbum Editorial Íbis [1969];

http://bedetecaportugal.weebly.com/asteacuterix.html

23.2.22

Astérix no Criptopórtico

As loucurix no criptopórtix

Louro de César tempera carne

Museu Machado de Castro recua à Roma de César para receber as aventuras de Astérix e Obélix pela companhia de teatro Fatias de Cá.

Estreada em 2 de Março de 2002 em Coimbra, a peça "Asterix no Criptopórtico" tem estado em palco todos os sábados no Museu Machado de Castro. Esta versão de Carlos Carvalheiro baseada em "Os Louros de César" de Uderzo/Goscinny proporciona uma viagem à prodigiosa cidade de Roma com direito a um verdadeiro banquete gaulês.

Uma primeira versão desta aventura teatral apresentou–se ao público, no mesmo local, em Maio de 1979, no âmbito do dia internacional dos museus. Tendo sido na altura tratada em tom de brincadeira, é agora, segundo Patrícia Almeida, encarregue da direcção do espectáculo, "uma reposição mais trabalhada devido ao carinho inspirado pela personagem Astérix". Uma das preocupações do Fatias de Cá foi criar uma peça que se adequasse ao criptopórtico do museu Machado de Castro, o que revela o empenho desta companhia em revitalizar o património, os "espaços mortos", ao mesmo tempo que brinca com o público.

Patrícia Almeida deixa ainda adivinhar a singularidade desta peça: "toda a história gira em volta da coroa de louros de César que Astérix e Obélix tentam recuperar loucamente para fazer um maravilhoso banquete gaulês passando por muitas peripécias e aventuras".

Como diria Abraracourcix, o chefe da aldeia gaulesa, é o "ferpeito" tempero da carne assada que o seu cunhado Homeopatix merece.

À semelhança de outras peças da companhia, "Astérix no Criptopórtico" combina a gastronomia com o espectáculo como forma de sociabilização com o público. Com o objectivo primeiro de não entediar o espectador e em consonância com o espírito da época representada interactivamente, a ementa foi preparada para que se possa "comer com as mãos, sem preocupações com as regras do dia a dia". Após a reserva, por 15 césares (euros), crianças e adultos poderão descer ao louco mundo gaulês recriado pelo Fatias de Cá.

Sílvia Madeira / Sónia Nunes, A Cabra, 15/11/2002

FATIAS DE CÁ - EM CENA MAIO 2002

O Fatias de Cá, grupo de teatro sediado em Tomar desenvolve durante os próximos meses actividade em varias frentes animando Tomar, Coimbra e Torres Novas às quartas-feiras ao fim do dia e aos Fins de semana. Em Tomar e estreada em 27 de Fevereiro "A Comissão de Festas" de Alan Ayckbourn terá lugar a 29 de Maio e 5 de Junho a partir das 21h00. Durante este espectáculo é servido um buffet de sobremesas. Em Tomar a partir de então terá inicio a carreira de "Sonho de uma Noite de Verão" de William Shakespeare que passara a animar a Mata dos Sete Montes todas as Quartas Feiras a partir das 19h18. A 7 de Junho, e incluída na 6ª Mostra de Teatro de Cem Soldos, o Fatias de Cá levara a cena a peça "As Árvores Morrem de Pé" de Alejandro Casona, que terá lugar em Cem Soldos a partir das 21h18.

Por sua vez em Coimbra, e estreada a 2 de Março, continua a sua carreira a peça "Astérix no Criptopórtico", baseada no livro de BD, "Astérix e os Louros de César", que tem lugar todos os Sábados a partir das 12h30 no museu Machado de Castro, no final é servido um banquete gaulês.

Também em Coimbra mas no Convento de S. Jorge de Milreus, Universidade Vasco da Gama e a partir das 19h00 (jantar incluído) continua em cena a peça "Ligações Perigosas" de Choderlos de Laclos Todos os Domingos e desde Fevereiro de 2001 continua em cena "Corto Maltese", baseado na história "Concerto em Ó menor para harpa e nitroglicerina" de "As Célticas", livro de BD de Hugo Pratt, na Distilaria da Brogueira, em Brogueira, Torres Novas (a partir das 16h00, Irish Coffe + Lunch incluídos).

Astérix no Criptopórtico - Uma aventura teatral no Museu Machado de Castro
Uma Produção do Grupo Fatias de Cá, para crianças a partir dos 4 anos de idade
Sábados, 12h18

Preço 15 Euros (inclui Banquete Gaulês)
Informações 239 823 727 Reservas: 249 314 161

https://fatiasdecateatro.wordpress.com/

http://fatiasdeca.net/

20.1.22

O OBÉLIX do PS

Pegar no PS é acto de coragem com muita margem para o insucesso

Todos nós temos uma especial simpatia pelas figuras da banda desenhada conhecidas por Astérix e o seu fiel amigo Obélix. Este, por ter caído na panela da poção mágica enquanto criança tornou-se um verdadeiro gigante dotado de força física que ninguém usava enfrentar. Os soldados romanos obrigados a combater sofriam consecutivas surras desta besta sobrenatural. Naturalmente tanto peso e tanta força não davam espaço a muita estratégia e sentido táctico mínimo. Era habitual vê-lo, no meio de tantos socos e pontapés, acertar em cheio em alguns dos próprios camaradas da sua aldeia. Muitas vezes sem intenção mas, certamente noutras ocasiões, para acerto de contas. Não fazia mal a uma mosca mas, quando irritado ou provocado, era de fugir pelo estrago que podia fazer.

O PS/Madeira tem muito de aldeia da Bretanha do tempo de César. Infelizmente sem qualquer Astérix. E para infortúnio com muitos Obélix(es). Todas as figurinhas criadas por René Goscinny e Albert Uderzo podiam muito bem ter sido inspiradas nestas duas gerações de partido socialista à madeirense. Teve e tem de tudo. Desde o cantor lírico que não se cala ao druída das mil poções mágicas que garantem vitórias que nunca acontecem. Por mais que se ilustre e aprecie as peripécias das figurinhas minúsculas e resistentes, o que é facto é terem sido os romanos os finais vencedores da invasão da Bretanha. As histórias dos pacóvios bretões são um pouco da luta de quem sempre perde as grandes batalhas e por isso valoriza uma escaramuça que lhe foi favorável ou uma freguesia que lhe presta lealdade.

Quando não podem com os invasores lá vem o inevitável Obélix e tudo é desbaratado. Invariavelmente termina com um repasto de javali e muita bebida.


Tudo isto me veio à cabeça após o recente discurso do líder da JS, Olavo Câmara, na reunião estival da juventude socialista. Uma verdadeira porrada no novo líder socialista Paulo Cafôfo. Aquele mesmo que por eles foi proposto candidato a presidente do governo regional. Um candidato derrotado de seguida eleito líder do partido. E logo vem o filho, em nome do pai, fixar os limites mínimos exigidos pela juventude socialista sob pena de ser despedido. O valente jovem deputado fixou os objectivos obrigatórios.

Olavo foi implacável com Cafôfo. Como faz o inigualável Obélix para quem não gosta ou o incomoda.

E, ao que se percebe, ainda não tem razão para não gostar.

Paulo Cafôfo não tem tido o benefício de boa estratégia, o que é agravado por tácticas absurdas e mal sucedidas. Ou por sua iniciativa ou por mau aconselhamento.

Desde logo a academia da JS devia ter sido realizada depois do congresso do PS. Nessa altura Paulo Cafôfo já seria líder do PS e certamente encerraria a reunião da juventude socialista aproveitando essa excelente oportunidade para reunir e motivar a sua base jovem. Ao contrário nem teve direito de resposta e defesa. E parece não ter tido prévia informação do que aí vinha.

Julgo que Paulo Cafôfo não quer perceber onde está metido.

O problema do PS é o próprio PS. O seu percurso ao longo destas quatro dezenas de anos em nada melhorou a sua intervenção política. É tudo muito complexo, contraditório, dividido, agrupado por famílias e sempre com liderança ambígua e frágil. Pegar no seu motor é acto de coragem com muita margem para o insucesso.

Um seu destacado dirigente e deputado regional afirmou que “o modelo e as estratégias do passado já não servem”. O PSD agradece a publicidade, pois foi exactamente o PSD que, há muito tempo, percebeu essa realidade. Toda a gente percebe que o actual PSD de Albuquerque nada tem de parecido com a anterior prática política. O modelo é outro, a estratégia é distinta e o rumo sem paralelo.

O problema principal do PS é que sempre percebe mais tarde que o PSD. E se tem algo de novo tem de apresentar.

Pior ainda foi alguém sugerir o sofrimento associado à resistência dos socialistas perante a supremacia social-democrata. Engana-se. Resistência que se louve é a dos portugueses à sucessiva destruição pela governação do partido socialista.

Arrepia verificar que no manifesto, ontem distribuído com o Diário, nem uma palavra sobre transportes ou mobilidade. Nem é prioridade na agenda do PS nem fez parte do discurso de Paulo Cafôfo. Custa a crer.

Começar uma nova liderança com uma discussão sobre nomeações de assessores é fugir às prioridades de uma Região que atravessa uma pandemia sem qualquer ajuda do Estado. É reavivar o escândalo dos “boys for the job” que o governo nacional do PS acautela aos seus militantes e respectivos familiares. E que tem no presidente do PS, Carlos César, o recorde de familiares com emprego público.

É um começo sem qualidade e nenhuma preparação. Muito menos ainda porque nenhum impacto.

PS (post scriptum e partido socialista): dói ver a palavra “região” escrita com minúscula inicial.

Miguel de Sousa, Diário de Notícias da Madeira, 24/09/2020

12.1.22

Um bocado de céu


Rio Frio, a opção ideal para o aeroporto

O CHEFE da aldeia gaulesa de Astérix tinha medo que um bocado de céu lhe caísse em cima. E não vivia em Lisboa, com um aeroporto saturado no meio da cidade e nos limites da segurança. Daí um novo aeroporto para a capital, estimado em 400 milhões de contos que deve, tal como o montante que envolve, ser pensado com grandeza, como o último grande projecto estruturante do século.

https://arquivo.pt/wayback/19990831225020/http://www.expresso.pt/ed1320/e111.asp?a

14/12/1998

Isabel Meireles / Henrique neto

22.12.21

Rui Pimentel


Uma História da Arte Mundial é, mais do que uma visão pessoal de Rui Pimentel sobre a História da Arte, uma homenagem aos seus principais actores, os artistas.

A exposição é composta por painéis pintados para decorar o tecto da sala da sua casa de Estremoz onde instalou a biblioteca, povoando-a assim com os retratos caricaturados dos autores que estão representados nas prateleiras.

Naturalmente que a escolha dos retratados é muito pessoal e incide nos autores e nas temáticas favoritas de Rui Pimentel e de sua mulher, Elisabete: a pintura e escultura, o cinema, a banda desenhada, a história e a literatura.

Ficaram de fora outros temas que também fazem parte das suas preferências, por uma absoluta falta de espaço, desde logo o cartoon e caricatura, mas também a filosofia, a fotografia, a arquitectura ou a música.

Estes painéis começaram a ser pensados em 2005, com a escolha das personagens, que foram depois desenhadas em 2007 e pintadas entre 2012 e 2015.

“Muitas personagens tiveram de ser eliminadas das listas originais por falta de espaço. A escolha feita é passível de ser criticada – porque aparece tal personagem e não outra? – Esta é a minha escolha pessoal, algumas personagens têm a ver com o meu gosto pessoal, ou com a maneira como elas passaram pela minha vida: tentei não representar escritores de que não tivesse lido um livro, ou um cineasta de que não tivesse visto um filme, por exemplo.” Rui Pimentel

Em alguns temas, as personagens fazem-se acompanhar das suas obras mais relevantes, como é o caso da literatura, do cinema e da pintura e a escultura.

Já no caso da BD o autor optou pela representação das personagens, por ser mais sugestiva do que a representação dos autores, em geral desconhecidos do público (e que se desdobram em muitos casos em argumentistas, desenhadores, coloristas, etc); aqui são poucos os casos em que o representado é o próprio autor, não só porque as personagens criadas por esses desenhadores não são tão reconhecíveis como outras criações da história da BD. Estão, neste caso, os quatro autores portugueses representados: E.T.Coelho, José Ruy, José Garcês e Augusto Trigo.

As personagens são representadas numa sucessão cronológica, todas com a mesma dimensão (aproximadamente o tamanho de um A4), tratadas com um estilo entre o retrato e a caricatura.
Nos painéis que se destinam ao tecto, as personagens são pintadas sobre um fundo envolvente de tinta dourada, numa referência ao tecto bizantino em mosaicos da igreja de São Marcos em Veneza.

Nos painéis que se destinam ao friso superior das paredes, os da literatura, o fundo escolhido é branco, para marcar uma continuidade com a própria parede.

Na exposição optámos por não recriar este efeito de tecto, e colocámos os painéis na parede para proporcionar uma relação mais cómoda do visitante com cada uma das personagens.

Esta forma de expor proporciona uma leitura muito diferente da que será feita com a colocação definitiva dos painéis na biblioteca, como elemento decorativo: esse efeito – de “Capela Sistina”, como foi chamado por Rui Pimentel no início do trabalho – é apresentado na exposição sob a forma de uma maquete.

Os retratos assim dispostos, lado a lado nas paredes da sala, mimetizam a própria biblioteca, como se fossem as lombadas dos livros colocados nas estantes, permitindo um passeio pela História da Arte Mundial, divertido e em grande intimidade com os seus actores, pela mão de Rui Pimentel.

http://divulgandobd.blogspot.com/2017/02/exposicao-de-rui-pimentel-no-museu.html

7.12.21

Nuno Saraiva



André Carrilho, Nuno Saraiva, Luís Louro, José Ruy, Joana Afonso e Marta Teives foram os autores portugueses convidados pela Câmara Municipal da Amadora para ilustrar medidas de prevenção do contágio pelo vírus COVID-19, através da banda desenhada, uma iniciativa da autarquia, dinamizada pelo Festival Amadora BD.

A Cidade da BD desafiou cada um dos autores a criar uma ilustração original para vários outdoors espalhados pelo concelho, baseada numa recomendação da DGS. Esta iniciativa pretende reforçar a saúde pública, a constante sensibilização da comunidade local e a presença da banda desenhada nos espaços públicos do Município da Amadora.

A cada um dos autores foi atribuída uma recomendação da DGS relativamente à prevenção do contágio pelo vírus Covid-19. André Carrilho aborda o uso obrigatório da máscara comunitária. Nuno Saraiva trabalha o distanciamento social. Joana Afonso recomenda evitar tocar nos olhos, na boca e no nariz. Luís Louro recorda a necessidade de serem evitados aglomerados de pessoas e deixa um repto “Não seja um Covidiota”. Marta Teives reforça a lavagem das mãos como prática indispensável. Por fim, o Mestre José Ruy recorre aos emblemáticos personagens de António Cardoso Lopes Júnior, Zé Pacóvio e Grilinho, para exemplificar a etiqueta respiratória.

Este projeto insere-se na programação do Festival Amadora BD para 2020, que inclui um conjunto de sessões para transmissão nos canais digitais, nomeadamente conversas com autores de banda desenhada e sessões de lançamento de livros. Paralelamente, prevêem-se duas exposições para a Bedeteca da cidade, com inauguração a partir do dia 22 de outubro, e o lançamento de um filme documental sobre os 30 anos do Festival.



9.11.21

Asteriz


Astérix sobre tela - da autoria de José Abrantes

Formato A 4, photoshop sobre tela, 100 

http://jose-abrantes.blogspot.com/2011/07/asterix-sobre-tela.html


21.10.21

Gaula

Da freguesia dos irredutíveis gauleses para o Funchal. E Lisboa?

A analogia faz-se sozinha. Há uma freguesia da Madeira, Gaula, resistente ao jardinismo como nenhuma outra nos últimos 37 anos, de onde sai um movimento de cidadãos, protagonizado por dois irmãos, que se diz detentor de uma “poção mágica” que o torna poderoso no meio partidário e que desde domingo é a quarta força do parlamento regional. O gentílico de Gaula? É gaulês, claro.

Na freguesia onde tudo começou, Filipe Sousa até já foi conhecido por Filipix, dadas as coincidências com a “aldeia povoada por irredutíveis gauleses” que, no início de cada livro do Astérix, “resiste agora e sempre ao invasor”, o Império Romano. Como na banda desenhada, este fundador do Juntos Pelo Povo recusa-se a revelar o segredo da “poção mágica”, como lhe chama, que fez com que o partido criado em Janeiro conseguisse chegar em dois meses ao parlamento regional, com uma representação (cinco lugares) igual à do PS-Madeira. O irmão Élvio Sousa também fala na “tal poção”, mas lá adianta alguns ingredientes: “Fazemos um trabalho quotidiano junto das populações. As pessoas criticam os partidos que estão em contacto apenas nos momentos eleitorais mas depois disso se fecham nos gabinetes.”

Filipe e Élvio têm nove anos de diferença (o primeiro tem 50, o segundo 41) e, juntamente com um conjunto de cidadãos independentes de Gaula, fundaram o movimento Juntos Pelo Povo (JPP) em 2008 para contrariar a “lógica partidária”. “A partidarite condiciona os autarcas”, argumenta convicto.

No ano seguinte candidataram-se à Câmara de Santa Cruz, roubaram a maioria absoluta ao PSD e passados quatro anos Filipe foi eleito presidente. Descontente com os partidos, atende o i à primeira, num contacto simples para a câmara. “Espere um pouco, vou fechar a porta... É fácil apanhar-me, sim, tão fácil que a porta está sempre aberta.” Num madeirense pausado fala do descontentamento com os partidos e conta o seu percurso político no poder local. Entrou em 1997, como candidato independente nas listas do PS à freguesia de Gaula, que tem pouco mais de 4 mil habitantes, a agricultura como principal actividade e “em 36 anos de poder jardinista foi a única onde a oposição contrariou sempre a hegemonia laranja” na Madeira, sublinha. Desliga-se do PS, funda o movimento e a história segue até ao parlamento regional.

Legislativas Para concorrer numas eleições que não as autárquicas, o JPP teria de se constituir partido. Filipe torceu o nariz, “receava a partidarite que estraga em muito a resolução dos problemas”, argumenta. Mas “a ideia era levar o projecto mais além”, diz, conformado com o que acabou por acontecer num curto espaço de tempo.

No início de Fevereiro deste ano o JPP foi legalizado. “Não estávamos a contar com este acto eleitoral.” A frase é de Élvio, que encabeçou a lista às legislativas e ouviu o irmão avisar, nos dias seguintes, que “é preciso ter cuidado que ainda nos cai o bebé nos braços. E caiu. Agora há que amamentá-lo”, acrescenta Filipe Sousa que, na altura, estava sobretudo preocupado com a composição das listas. Afinal havia hipótese de eleger mais de um deputado. “Basta uma andorinha para estragar a Primavera”, atira o autarca para justificar a cautela. O provérbio popular não é este, mas no JPP também não foi devagar que se foi longe. E a meta pode nem sequer estar na Assembleia Legislativa sediada no Funchal.

A Assembleia da República está no horizonte do JPP. Até porque, lembra Élvio Sousa, o partido tem “uma base considerável de apoios na Grande Lisboa, no meio académico, empresarial e da cidadania”, diz ao i. O congresso nacional deve realizar-se em Maio, e aí o JPP “vai reflectir sobre as legislativas e ponderar seriamente a apresentação de uma candidatura”.

O agora deputado da Assembleia Legislativa da Madeira é também o presidente da Junta de Freguesia de Gaula, onde vai manter-se em funções. É arqueólogo, formado na Universidade de Lisboa, e investigador na área da arqueologia da expansão portuguesa. Não gosta de colar o JPP a ideologias. “É composto por muitos homens e mulheres que não se identificam com a dicotomia esquerda/direita”, garante ao mesmo tempo que aponta como prioridade a área social – “Se isto é esquerda ou direita...” “Nunca fui militante e 99% dos deputados ou autarcas do JPP também não. O melhor da política está nos cidadãos”, diz ainda no ritmo da ladainha de campanha daquele que foi alvo de ataque frequente dos partidos tradicionais durante o último mês.

O JPP vai ocupar cinco cadeiras no parlamento regional e propõe-se ter um gabinete móvel de apoio à população, para sustentar e dar a conhecer as propostas sociais do partido. Há uma coisa que recusou na campanha e mantém como lema: não a coligações. “Há uma filosofia e isso quebraria a confiança com os cidadãos. Jamais poremos a hipótese de acordo.” Bom, há um possível. Os irmãos são ambos músicos. Élio toca viola e harmónica nos SOS (Somos o que Somos), uma banda de originais de blues e rock. Filipe tocou, na adolescência, nos Chacal (“É um animal que come carne podre e as nossas letras atiravam aos podres da sociedade”, explica o autarca). “Um dia ainda fazemos uma banda com o actual presidente do governo regional, que toca piano.” Élvio ri-se, garantindo que com Miguel Albuquerque só mesmo na música. Será?

01/04/2015
https://ionline.sapo.pt/131752

Publicação em destaque

Bartoon

Que o popularíssimo herói de BD Astérix passou das mãos de Uderzo, exímias a desenhar criativamente, para as de Didier Conrad (e se Goscin...